24 de out. de 2009

AS "PRAGAS" DO SÉCULO

Normalmente abordo temas relacionados ao ensino como um todo. Mas neste artigo o meu lado “biólogo” falou mais alto.

Diariamente estamos assistindo um desfile de “pragas” que estão nos assolando. Gripes, febre amarela, dengue, etc. O que mais chama a atenção nestas doenças é a sua manifestação de forma alternada. No inverno a gripe, no verão a febre amarela e dengue. Não nos dão trégua. Como meu assunto predileto na Biologia é a evolução, não consigo raciocinar sem relacionar as doenças com a evolução.

Se analisarmos a diversidade biológica do Planeta, veremos que várias espécies possuem variantes, embora de espécies diferentes. Veja, por exemplo, a variedade existente de símios (macacos). Se pensarmos em termos de variedades nos somos os únicos “humanoides” a circular pelo Planeta. Somos os últimos da nossa linhagem. Se pensarmos, também, em quais são os nossos predadores vamos acabar chegando a vírus e bactérias. Durante um processo evolutivo é natural que permaneçam as espécies melhores adaptadas no ambiente. Também é verdade que a medicina está muito avançada fazendo com que vivamos mais tempo.

Em vista disto, a própria medicina faz com que nossos predadores sejam cada vez mais adaptados ao ambiente, dificultando as nossas defesas. Mas num processo evolutivo comum, continuaremos a ocupar o ambiente durante muito tempo. Alguns de nós seremos eliminados pela não adaptação ao novo padrão e outros sairão ilesos por possuírem características favoráveis.

Dizem que no tempo de Copérnico, a visão humana do Planeta era egocentrista, ou seja, éramos o centro do universo. Atualmente vejo muitas pessoas com esta visão ainda. Falam coisas do tipo: “O planeta vai morrer”, “Toda a vida da Terra vai acabar”. Não podemos esquecer que seres vivos incluem bactérias, protozoários, fungos, etc. Mesmo que fôssemos extintos, certamente a vida ainda continuaria no Planeta por alguns milhões de anos. Não esqueça que estamos aqui muito pouco tempo (200 mil anos) se comparamos com outros seres vivos como a barata que já circula por aí uns 65 milhões de anos (e continua ainda entre nós).

É verdade que estamos interferindo no processo natural do desenvolvimento do nosso lar. Estamos acelerando o processo do aquecimento do Planeta. O que levaria milhares de anos para ocorrer está sendo processado em dezenas de anos. E os maiores prejudicados seremos, sem sombra de duvidas, nós os humanos.

Noto em muitos momentos a tendência de se tentar culpar governos por “permitirem” que certas doenças se propaguem. Há uma tendência de sempre se achar culpados para o processo. Mas competir com micro-organismos que já estão se adaptando no ambiente a milhões de anos envolve muito mais do que se achar um culpado.

O que pretendo com este artigo é fazer o leitor ter a consciência de que não somos o centro do processo de vida do Planeta, não somos a principal peça, mas apenas uma parte do grande processo vital que mantém este ambiente habitável, ou seja, vivo.

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