1 de jan de 2008

SEXUALIDADE NA ESCOLA


O tema Sexualidade na Escola, talvez seja um dos mais polêmicos e de maior dificuldade para ser tratado. Por esta razão decidi por abordá-lo da maneira menos preconceituosa possível. Procurarei ser objetivo[1] e breve, por ser esta uma das características deste professor e de ser do agrado da maioria das pessoas neste mundo “apressado”.
Começo com uma pergunta: De quem é a responsabilidade de educar, sexualmente, os jovens e por que não os menos jovens?
Inicialmente diríamos que a responsabilidade é dos pais, da escola, enfim da sociedade como um todo. Mas sabemos[2], que na prática não é o que acontece.
Na realidade, hoje a escola é que possui cada vez mais esta responsabilidade de educar os alunos para uma sexualidade saudável. Sabemos também que em sua maioria, as escolas não estão cumprindo este papel com eficiência. Como motivo está o despreparo dos professores em abordar o tema, cheio de tabus, e a concorrência desleal dos meios de comunicação que acabam confundindo a cabeça do nosso jovem. Em um momento estão fazendo campanha para uso de camisinha, e no outro instante estão promovendo a promiscuidade, principalmente em novelas que “descrevem” o dia a dia, quando jovens praticam o sexo sem usar a tal camisinha (com raras exceções).
Mas retornemos a escola. Um dos principais motivos em que a responsabilidade passou a ser da escola é a falta de convivência familiar. Pai e mãe trabalham fora de casa e não participam efetivamente da vida escolar dos filhos. Outro fator relevante é a falta de formação e informação dos pais a respeito do assunto, polêmico e com muitos paradigmas, preferem na maioria dos casos não falar do assunto com os filhos.
Já que a coisa está neste pé, considero de importância básica o papel da escola na educação sexual, isto desde a pré-escola. Acredito nisso, pois se a criança crescer aceitando a sua sexualidade, certamente terá uma vida sexual saudável[3]. Mas para que o sucesso seja alcançado é necessária, antes de tudo, a preparação dos educadores. Refiro-me a todos, não somente os professores de ciências ou biologia e de psicologia[4]. Esta preparação envolve o repensar de conceitos sexuais e a conseqüente quebra de tabus existentes ainda hoje. Como exemplo a homossexualidade, encarada como um “desvio social”.
A mudança a que me refiro envolve todos os segmentos da escola, professores, supervisão, orientação educacional[5] e a direção. É uma corrente que na falta de apenas um elo, não serve a seu propósito.
Como primeiro passo está a avaliação dos conceitos e dos tabus que ainda existem entre os professores. É pura demagogia querer uma escola moderna com real interesse na formação de seus alunos, enquanto ainda existirem colegas que se barbarizam e marginalizam adolescentes grávidas, alunos homossexuais. Ou ainda que não admita, por exemplo, que a masturbação é parte do processo sexual. Não é com negativa a estes fatos que vamos resolver os problemas da sexualidade, principalmente na adolescência. Se você leitor, nos tópicos acima, ficou barbarizado ou apavorado então ainda não está pronto para abordar o tema sexualidade em aula e muito menos com seus filhos.
Uma vez que se tenha vencido o primeiro obstáculo (quebra de tabus), que não é fácil, podemos passar para a próxima etapa na abordagem do tema sexualidade. Esta fase também não é fácil, eu diria que é muito mais complexa. Trata-se da informação sexual dirigida ao aluno. O que informar e quando informar são questões difíceis de serem definidas, pois inexistem regras.
Na minha opinião estas questões estão muito ligadas entre si. Considerando que a abordagem deve incluir desde as séries iniciais ate as finais, depende, e muito, da curiosidade do aluno. Em regra, se é que se pode ter uma, da pré-escola a quinta série deve se informar àquilo que a criança pergunta, para tanto deve haver uma “janela” para pergunta. A informação deve ser clara, nada de “pintinho” e “garaginha” entre outras analogias. O sistema genital deve ser referido com o nome correto de suas partes, assim como é feito com o braço, as pernas, a cabeça, etc. Se começarmos a apelidar o sistema genital, provavelmente a criança irá aprender “fora” o nomes populares e certamente inadequados.
Este perguntar que me refiro deve ser, obviamente estimulado pelo professor a medida que a criança mostra interesse no assunto. Este interesse pode estar relacionado a um fato ocorrido na escola, em casa ou visto em um meio de comunicação. Por exemplo, quando a criança em idade pré-escolar ou nas séries iniciais vê a mãe grávida de um “maninho”, e questiona como é que o maninho foi parar ali dentro. A linguagem deve ser simples e sem fantasias. Aquela velha história da sementinha não “cola” mais, porque as informações que a criança possui (você vai se surpreender) são muito maiores do que a tal sementinha, que acredito ser uma versão muito machista para explicar a origem de um bebê. O “lance” de colocar a sementinha e que ela vai crescer na “barriga” da mamãe não lembra a teoria do homúnculo? A criança está pronta no espermatozóide e só precisa encontrar um abrigo (o útero) para crescer e se nutrir.
Continuando o raciocínio de divisão na informação sexual, reitero que é apenas para entender o processo numa escala cronológica, não sendo regras a serem adotadas por escolas ou professores, os temas a serem abordados de sexta até a oitava série devem levar em conta a fisiologia do sistema genital e da real abrangência da sexualidade, que envolve muito mais do que o ato sexual . Ela inicia muito antes, antes até do nascimento já no útero da mãe. Alguns cientistas afirmam que inicia na formação do óvulo.
Ë necessário que o adolescente entenda o “por quê” e qual a maneira mais saudável para seu desenvolvimento sexual. É neste período que se deve trabalhar a primeira relação sexual, entre outros temas. Considero a etapa mais importante para abordar o tema, pois é a partir de uma boa iniciação sexual que se tem uma vida sexual adulta saudável.
Muito importante é o adolescente se conhecer sexualmente, que entenda as transformações que estão ocorrendo com seu corpo. Sabendo disto certamente irá respeitar-se e ao seu parceiro sexual. Deve saber que o homossexualismo, ou chamado de terceiro sexo, é um fato real e normal, não uma aberração social. Deve saber que a masturbação também e uma coisa normal e saudável para o autoconhecimento, desde que não se transforme em um ato doentio, como o que ocorre com estupradores, por exemplo. Estando de posse destas informações o adolescente poderá tomar a decisão da sua “primeira vez” de maneira responsável optando por um bom método anticoncepcional, um parceiro de confiança e evitando as doenças sexualmente transmissíveis. Quando abordo este tema com os alunos, principalmente da sétima série, procuro salientar as conseqüências de uma gravidez na adolescência, engravidar é o menor dos problemas, o maior é o que vem depois, dedicar-se à criação de um filho na idade adolescente, quando é o momento de passear e “curtir” as amigas, namorados e etc.
Algumas adolescentes até tomam a decisão de engravidar para sair de casa em busca de uma falsa independência, quando na prática estão se tornando cada vez mais dependentes e agora com um filho para criar. Estes assuntos relevo com grande ênfase nas aulas, alertando as conseqüências, não impedindo o ato sexual em si[6].
No ensino médio o tema deve ser abordado de forma mais ampla e complexa, usando os conhecimentos adquiridos na Biologia e considerar a relação sexual como sendo necessária para a manutenção da espécie humana, ou seja, como uma necessidade evolutiva. Considerar também a sua relação com o amor, os problemas genéticos que podem ocorrer com o casal e com os filhos, da infertilidade e suas soluções, da vida a dois e das informações necessárias para os futuros papais e mamães.
O que proponho neste ensaio é um “repensar” de conceitos e atitudes e não ignorar a sexualidade. Devemos tratar o tema como coisa normal e essencial como beber água, comer ou respirar.
Quando todos nós encaramos a sexualidade desta maneira, sem sombra de dúvidas, teremos ao menos encaminhada uma geração sexualmente saudável e responsável.

[1] Sem enrolar o querido leitor;
[2] Principalmente nós professores.
[3] Mais adiante definirei o que penso ser vida sexual saudável.
[4] É o que normalmente acontece.
[5] Deveria ser base da educação sexual na escola.
[6] Não esqueça que o proibido sempre é melhor.

6 comentários:

Cybele Meyer disse...

Olá Professor Samuel,
gostei muito do seu artigo. Tenho um blog voltado ao professor no qual abordo temas requisitados por eles. Hoje irei falar novamente sobre a "Sexualidade na Escola" e foi fazendo as minhas pesquisas que encontrei seu blog.
Colocarei seu artigo com link para o seu blog, ok!
Apareça para me fazer uma visita: www.cybelemeyer.blogspot.com
Abs e tenha uma ótima semana.
Cybele Meyer

Anônimo disse...

OLA PROFº, QUERO EM PRIMEIRA MÃO AGRADECER PELA LUZ, ESTOU TENTANDO ESCREVER UM ARTIGO SOLICITADO NA PÓS SOBRE SEXUALIDADE E SEU ARTIGO AJUDOU MUITO. CONTINUE SEMPRE COMPARTILHANDO SEUS CONHECIMENTOS, PQ SEMPRE HAVERÁ ALGUEM PRECISANDO DELES
SONIA MATOS/ RONDONIA

CNO Pollux disse...

Prezado Prof. Cortez,
obrigado pela ótima leitura.

Este tema faz parte de uma de nossas linhas editoriais e estamos promovendo uma discussão sobre se é devido e como deve-se abordá-lo nas salas de aula.

Gostaria de lhe convidar a participar e divulgar seu material.

Segue o link da discussão na nossa página no Facebook:
http://www.facebook.com/topic.php?uid=302724447646&topic=11505

Abraços,
Editora Pollux

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Sonia disse...

Olá Professor, ador teu blog, queria muita a sua ajuda, preciso contruir um artigo sobre sexualidade, vc pode me ajudar??? meu e-mail é soniabraga4@hotmail.com sou de União da Vitória.
Aguardo um abraço